Terça-feira, Fevereiro 09, 2010

Sentidos

Não sei escrever sobre sentidos.
Só sobre cheiros, sabores, toque, sons, cores.
Só sobre sensações e emoções, frenesim, taquicardia, suor.

Não sei escrever sobre afectos.
Porque pensei que tinha perdido a capacidade de os sentir.
Porque pensei que no dia em que perdi o coração... tivesse perdido a razão e alma.

Não sei como voltar aqui, sem falar do sentido que os sentidos ganham
Só agora, como ainda há pouco, só porque posso não saber escrever mas sinto, intensamente, e gosto do que sinto!

Não sei mais nada, nem digo.
Só posso dizer que senti e sentia... saudades de poder usar os sentidos, sem medo, sem reservas

Sábado, Fevereiro 06, 2010

Linha ténue

Esta linha ténue em que o Céu e o majestoso Mar se tocam.
Esta linha de contornos fáceis de imaginar e tão difíceis de colocar no papel.
Esta é a linha a que apelidam de Horizonte.

Não é a linha perfeita de um ombro forte e robusto,
Não é a linha que desenha os lábios quentes entre o licor que tomas e cujo gelo tilinta no copo,
Não é a linha que une as palavras que escreveste em documento word e eliminaste com medo do que pensaria.
Não é.

Esta é a linha mais bonita e ténue, a linha do encontro entre dois braços,
do reencontro entre dois lábios, do risco de carvão decalcado em folha branca de saudade e adeus.

Esta é a linha com que desenhámos um farol e com que apagamos a sua luz hoje, só porque as estrelas nos chegam para fazermos desejos e estarmos olhos nos olhos por uma última vez.

Esta linha é a linha ténue que nos separa, a linha que se escreve suor e arrepio, no mesmo instante, a linha que se escreve carícia e colo nesta última chávena de café doce como gostamos.

Sexta-feira, Fevereiro 05, 2010

Calendário

Não costumo riscar dias no calendário, mas desde Setembro que teimei em fazê-lo por estar num local pelo qual não nutria muita simpatia.
Hoje não faz sentido fazê-lo, mas a contagem decrescente para do ano lectivo, quase que me obriga (esteticamente, falando, lol) a colocar essa tarefa em prática.
Dei conta há pouco que desde dia 28 que não havia dias riscados, e tive agora a fazer o gosto ao dedo :))

Sim têm sido uns dias cheios, preenchidos e recheados de coisas muito bonitas e outras nem tanto.
Aprendi que se há tempestades que nos assolam, estas podem parecer apenas um percalço só porque ao nosso lado nos olham nos olhos e nos dizem que "já passou", "está tudo resolvido".

O dia a dia, marcado ou não no calendário, deixa marcas na alma e na pele, deixa cores e sabores, deixa cheiros e perfumes.

Anteontem teve cheiro a terra molhada, a asneira dolorsa, a StarBuks Mocca Tall, a sorriso rasgado e olhos brilhantes...
Ontem teve contornos de simplicidade e rotina, mas marcas profundas de surpresa e desenho de rosas, em aguarela da memória, a veludo no toque...
Hoje tem cor vermelha de vitória, de orgulho, de afecto, de calor humano.

Calendário escreve-se com sensações e presenças, com comoção e gargalhada, com cheiro de jasmim e travo a saudade. Calendário escreve-se prosa agora, porque daqui a pouco há poesia.

Terça-feira, Fevereiro 02, 2010

A "nossa" casa

É verdade que a nossa casa é aquela onde vivemos, temporariamente ou não, num local maravilhoso ou simplesmente no lugar-que-te-de-ser.
A nossa casa é para onde vamos ao final do dia e onde nos sentimos confortáveis e nos podemos encontrar connosco próprios, sem medos, sem poses para fotografia, sem máscaras.

É verdade que não tenho ainda "a MINHA casa" mas vou tendo estes espaços que não deixam de ser a minha casa. E os sítios onde moramos vão ser sempre "a minha casa" e cada vez que volto a esses lugares tenho uma casa que foi minha, e é minha para sempre, cá dentro.

É verdade que a nossa casa é aquela onde vivemos, temporariamente ou não, num local maravilhoso ou simplesmente no lugar-que-te-de-ser. E é verdade que aqui é também já a minha casa. Escrevi que estava..."num local onde ainda não fui feliz, mas que gostava de vir a ser" e hoje, assumo, que também aqui neste local já fui feliz! Em instantes simples e gestos puros, em gargalhadas sentidas e lágrimas derramadas, entre beijos, despedidas, abraços e adeus. Sim aqui também é a "minha casa" e sabe bem chegar à janela e ver a noite cair, em tons ocre e sabores salgados pelas lágrimas de saudades de outras paragens. E sabe tão bem partir daqui só para partilhar uma palavra, ouvir uma frase e receber um sorriso. E sabe tão bem... dormir de cansaço!


Casa

"onde é a nossa casa?"

"A nossa casa é no sítio onde vivemos" :))
Ouvia há pouco no filme Julie e Julia

Segunda-feira, Fevereiro 01, 2010

I look to you

A música é linda e a letra não fica atrás...



"After I lose my breath
There's no more fighting left
Thinking to rise no more
Searching for that open door"



Terça-feira, Janeiro 26, 2010

@ Cinema

"2012" e "Avatar" são os dois primeiros filmes com alguma intensidade que vi em 2010 e que foram bastante falados. Não fiquei com vontade de os rever, confesso. Precisava de outro tipo de filme. Apetecia-me rever o "Ensaio sobre a cegueira" que fez começar o ano cinéfilo anterior bem melhor do que este.

Apetecia-me rever o "vinte e um gramas", do qual me relembro mal, mas que um blog que encontrei por acaso, me fez recordar.

Sim, hoje o dia é de escrever sobre a tela de cinema, porque a tela da vida nem sempre tem imagens suficientemente fortes para redigir sobre elas.

Segunda-feira, Janeiro 25, 2010

Linhas

Linha a tracejado, constante, geometricamente perfeita, milimetricamente testada. Estrada.
Linha a cheio, negrito, tons suaves e fortes no mesmo desenho. Horizonte.

Marca de água, sem sangue, nem suor. Sem lágrima, sem gargalhada, sem saliva.
Marca de tacto, leve, como a marca da ferida que um dia ficou.

Domingo, Janeiro 24, 2010

Domingo

Sol, algum, mas sem mar no horizonte, sem pés na estrada, sem janela aberta para a rua.
É um dia caseiro, este. Um dia para mim, precisava de colocar o sono em dia (e 14 horas não é um recorde, mas já há muito tempo que assim não acontecia) e de tratar de mim, e assim foi. Ficou a faltar o corte no cabelo, que se adia mais uns dias.

Dia pacato, domingueiro, sem grandes aventuras, porque a vida é em si uma aventura.
Uma fuga até casa, numa corrida contra o tempo e contra o cansaço que quase me venceu, numa última curva, entre um pestanejar. A vida por um fio, em que mereci mais umas horas, uns dias, para usufruir de ritmo e tempo, de escrita e afecto, de amigos e presentes de pessoas ausentes.

Já tenho saudades do meu mar e estive lá na 6feira.
Já tenho saudades do crepe de gelado e chocolate eborense, e tive direito a ele há 15 dias.
Já tenho saudades de sair para dançar e ouvir música, e a passagem do ano foi há tão pouco tempo.
Perco-me em poesias de papel e caneta, de borrão de tinta, suor, saliva e beijo de despedida.
Encontro-me no abraço de afecto dos amigos, com sorrisos rasgados, lágrimas e gargalhadas, num misto de vida e mítico, num misto de sonho e de real, na consistência de um dia banal em que não o é porque não ficámos sozinhos e temos o mimo que precisamos.

Hoje, apenas me delicio com um descafeínado caseiro e vou até à tela cinéfila fingir que a vida tem 120minutos de encanto sem dor, sem medo, sem promessas e sem adeus.
Hoje vou ver se faço um pouco mais do que escrever.

Sem prosa ou em poesia. Só porque é domingo e me apaetece escrever aqui.

Quarta-feira, Janeiro 20, 2010

Acabou

Acabou hoje.
Por mais que custe,
por mais que doa,
por mais que não queira.

Acabou.
As histórias chegam ao fim,
mesmo quando as crianças dizem "conta outra vez" não é?
Então há uma história que finda. Podemos sim, revê-la, contá-la de novo, com frieza até (como nos acusam) mas não passa de "contar outra vez".
Sem passos não se faz caminho.
Com palavras duras não se diz "amo-te".

Sem adeus, mas com um "deadline".
Só um pouco de dor, que o tempo cura, com certeza.

Terça-feira, Janeiro 19, 2010

Saldo Positivo

Um dia com saldo positivo.
Gosto de dias assim, se bem que esta coisa de não "fazermos parte do sistema" às vezes incomoda. Mas pronto, as pessoas têm de se habituar que mesmo esses sabem fazer e eu tenho de me habituar a que pensem o contrário.

Há desafios que nos tornam pessoas diferentes, outros que nos melhoram, outros que nos tornam mais fortes.
Há instantes que, sem fazer nada disso, nos marcam e tocam.
Sim, vale a pena, é para isto que trabalho todos os dias, para ver pessoas a dizer que valeu a pena e para eu sentir que vale a pena.

Há tanto para dizer e escrever hoje, mas fico por aqui, volto amanhã, ou mais logo, se conseguir!